terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Recomeço


Na teoria, recomeços são maravilhosos, parece que é um botãozinho simples que você clica e puff tudo muda e você pode escolher uma maneira nova de viver. 
Claro que na prática não existe a porra do botão, e a coisa nunca é tão simples porque existe a recaída, sim, a quase nunca mencionada, mas sempre presente RECAÍDA.
Pra que falar de tudo isso quando o assunto seria recomeço?
Bem, uma vez ouvi dizer de uma certa pessoa que tratava seus términos como um funeral. Ok, parece que ficou um pouco pesado, até mesmo pra mim que tento ser prática em alguns assuntos, mas hoje repensei sobre o assunto e fez todo sentido.
Para se ter um recomeço, precisa DE FATO, real e sinceramente, enterrar o que precisa ficar no passado. 
Isso não quer dizer que você vai deletar todas as fotos, queimar todos os presentes pra esquecer tudo o que foi vivido. Exige um certo tempo, e esse tempo nós mesmo quem determinamos. Às vezes evitamos essas ações por medo de nos encontrarmos vazios, só que não há mal nenhum nisso. É preciso limpar totalmente a casa para poder fazer nova morada, penso ainda que precisa ser uma morada ainda mais significativa e permanente. A sua própria morada.
Colocar cada móvel em seu devido lugar, por você se sente bem com eles expostos daquela maneira, e isso não é pra mostrar que você é melhor sozinha do que com qualquer outra pessoa, e sim que você precisa estar em ordem e em perfeita condição para receber visitas no futuro.
Eu já tenho 30 anos, e até tempo atrás vivia correndo atrás de possíveis relacionamentos sem antes entender, me conhecer e me amar como sou, e essa é a tarefa mais difícil que temos nessa vida.
Aquele questionário básico: quem é você? O que gosta de fazer? Qual a sua comida preferida? Seu filme preferido? A banda que não pode faltar na sua playlist?
Já respondi tantas vezes isso e a verdade é que nunca respondi o que eu realmente queria responder e sim o que as pessoas queriam escutar, nem tanto por agradar e sim pra não ter que explicar que eu não sou um robô que gosta sempre das mesmas coisas, curte as mesmas músicas, vai sempre nos mesmos lugares.
O meu recomeço vai além de enterrar pessoas e situações, vai de um recomeço comigo, que é muito mais profundo e muito menos compreensível.
Deletei minhas redes sociais e a primeira pergunta que me fizeram foi "acabou de sair de um relacionamento difícil?"
Confesso que na hora fiquei com vontade de responder que sim, que o relacionamento mais difícil é com os seres humanos, só que seria errado porque eu sei que fiz isso por mim, não por outra pessoa, não preciso comparar minha vida com as de outras pessoas, muito menos buscar aprovação de quem nem ao menos me conhece.
Meu recomeço é escrever. Me conhecer. Enterrar tudo o que eu tinha e hoje não se encaixa mais na minha vida. E eu sei que leva tempo, mas eu sei também que vale muito a pena.

domingo, 20 de janeiro de 2019

.irreversível.

Você já certamente passou por algum momento onde imaginou que deletar a conversa com determinada pessoa adiantaria muita coisa. Pronto. Nunca nos falamos. Essas trocas de confidências nunca existiram.
O porque fazemos isso, ou uma boa parte faz isso, eu não sei. O que eu sei é que acaba sendo a maior babaquice, um impulso ou até covardia em compreender que uma conversa apagada não vai alterar em nada do que já foi dito.
Eu queria que isso fosse possível, deletar todas as nossas conversas e fingir que não me tornei vulnerável em cada palavra trocada, e você sabe o quanto eu odeio me sentir vulnerável. O problema é que vez ou outra vem a saudade e o egoísmo de pensar que só eu poderia fazer você feliz ou compreendê-lo tão bem quanto qualquer outra pessoa, apesar dos quilômetros que nos separam.
Percebi que te apaguei, e esse ato, mesmo impensado, não tem como voltar atrás.
O que eu mais queria se tornou real, você se tornou uma página em branco.